Quanto cobrar por manutenção de ar-condicionado e refrigeração
Não existe tabela oficial de preço para manutenção de ar-condicionado e refrigeração. O preço que se sustenta sai de uma conta: quanto custa a hora de quem executa, dividida pelas horas que ele de fato trabalha no cliente, mais a parte do custo fixo da empresa que cabe a cada hora, multiplicado por um fator que cobre imposto, taxas e o lucro que você quer. Com o preço da hora na mão, a mensalidade de um contrato é o total de horas do ano naquele cliente, multiplicado pelo preço da hora e dividido por doze, mais os materiais. Depois de fazer a conta, compare com o que a sua região paga.
Os valores em reais deste guia são exemplo. Eles servem para mostrar a conta, não são preço de mercado nem sugestão de quanto cobrar. Troque pelos números da sua empresa.
- Não existe tabela oficial de preço. O preço sai do seu custo, e o mercado diz se ele passa.
- A hora que você vende não é a hora contratada. É a hora em que o técnico está de fato no cliente.
- O custo fixo da empresa entra em cada hora vendida.
- Imposto, taxa e lucro entram por um fator que multiplica o custo. Somar porcentagem em cima do custo dá preço menor do que o necessário.
- Mensalidade de contrato é o total de horas do ano naquele cliente, vezes o preço da hora, dividido por doze, mais os materiais.
Existe tabela de preço para manutenção?
Tabela oficial, não. Nenhuma lei fixa preço de manutenção de ar-condicionado ou de refrigeração, e não encontramos tabela pública de referência nas entidades do setor.
O que aparece na busca são dois tipos de número:
- Valor de blog, sem dizer de onde veio.
- Valor de contrato de órgão público, que é o preço de um contrato específico, com as condições dele.
Nenhum dos dois conhece o seu custo. Copiar o preço do vizinho é cobrar pelo custo dele, e o seu pode ser maior.
Para o tempo de serviço existe uma referência pública, mas só de instalação. O SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, mantido pela Caixa e pelo IBGE) mede, por exemplo, cerca de 2,5 horas de mecânico de refrigeração e 2,5 horas de ajudante para instalar um split de parede de 9.000 BTU/h em obra, sem contar tubulação, dreno, vácuo e carga de gás. Para manutenção preventiva, o tempo de referência é o seu: cronometre.
Qual é a conta, em resumo?
O método abaixo é o que o e-book do Sebrae RS ensina para formar preço de serviço. A numeração é a das seções deste guia.
| Passo | O que calcular | Como |
|---|---|---|
| 1 | Custo da hora de quem executa | Custo mensal total do técnico ÷ horas em execução no mês |
| 2 | Custo fixo por hora | Custo fixo mensal da empresa ÷ total de horas em execução da equipe |
| 3 | Deslocamento | O tempo já está no passo 1, e o veículo entra no passo 2 ou por quilômetro |
| 4 | Imposto e o que mais incide | Imposto + taxas de cobrança + inadimplência, em porcentagem |
| 5 | Lucro desejado e multiplicador | 100 ÷ (100 − (incidências + lucro)) |
| 6 | Preço da hora | (custo da hora do técnico + custo fixo por hora) × multiplicador |
| Materiais | O que vai junto com o serviço | Custo dos materiais × o mesmo multiplicador |
O Sebrae RS chama o multiplicador do passo 5 de markup (marcação). Daqui em diante, ele é só o multiplicador.
Passo 1: quanto custa a hora de quem executa?
Comece pelo custo mensal de quem vai a campo. Não é só o salário. A lei garante ao empregado:
- 13º salário e férias com um terço a mais (Constituição, art. 7º). Por mês, isso equivale a guardar 1/12 do salário para o 13º e 1/12 mais um terço para as férias.
- FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de 8% sobre a remuneração (Lei 8.036/1990, art. 15).
Somam-se os benefícios, como vale-transporte e alimentação, e o que a convenção coletiva da sua cidade determinar. Não existe um piso nacional do técnico de refrigeração: o piso é o da convenção coletiva da sua base. Também não existe uma porcentagem oficial de encargos que sirva para todo mundo. Peça ao contador o custo real de cada funcionário.
Se o dono também executa, a retirada dele entra aqui pela parte do tempo em que está em campo.
Exemplo. Um técnico com salário de R$ 3.000,00:
| Item | Conta | Valor por mês |
|---|---|---|
| Salário | R$ 3.000,00 | |
| Benefícios | exemplo | R$ 400,00 |
| 13º salário | 3.000 ÷ 12 | R$ 250,00 |
| Férias com um terço | (3.000 ÷ 12) × 4/3 | R$ 333,33 |
| FGTS (Fundo de Garantia) | 8% de 3.000 | R$ 240,00 |
| Custo mensal do exemplo | R$ 4.223,33 |
O exemplo é simplificado. O custo real tem outras linhas, e quem fecha esse número é o contador.
Agora a parte que mais se erra. O técnico é contratado por 220 horas no mês, mas não passa 220 horas executando serviço. Parte do tempo vai em deslocamento, compra de peça, organização e ausência. O e-book do Sebrae RS manda dividir o custo pelas horas em execução, que são as que geram receita.
No exemplo, o técnico executa 120 horas por mês:
R$ 4.223,33 ÷ 120 horas = R$ 35,19 por hora.
Dividir por 220 daria R$ 19,20. É a diferença entre uma empresa que se paga e uma que trabalha no prejuízo sem perceber.
Passo 2: quanto do custo fixo cabe a cada hora?
Custo fixo é o que a empresa paga vendendo ou não: aluguel, contador, telefone, internet, programas, ferramentas, a retirada do dono pelo tempo em que não está em campo e o veículo (seguro, imposto, manutenção e desgaste).
Divida o custo fixo do mês pelo total de horas em execução de toda a equipe.
Exemplo. Custo fixo de R$ 6.000,00 por mês e dois técnicos que executam 120 horas cada:
R$ 6.000,00 ÷ 240 horas = R$ 25,00 por hora.
O custo de cada hora vendida, no exemplo, é R$ 35,19 + R$ 25,00 = R$ 60,19.
Passo 3: e o deslocamento?
O deslocamento tem dois custos, e cada um entra num lugar:
| Custo | Onde entra |
|---|---|
| O tempo do técnico | Já está no passo 1: é por isso que a divisão é por 120 horas, e não por 220 |
| O veículo | No custo fixo do passo 2, ou cobrado por quilômetro. Escolha um dos dois |
Para cobrar por quilômetro, a conta é sua: some combustível, manutenção, pneus, seguro, imposto e desgaste do veículo no mês e divida pelos quilômetros rodados. Não existe valor oficial por quilômetro para carro ou picape de serviço.
O que derruba o custo do deslocamento é a agenda. Duas visitas no mesmo bairro, no mesmo dia, pagam um deslocamento só. O guia sobre como controlar a manutenção preventiva mostra como agrupar.
Passo 4: qual imposto entra na conta?
Depende do regime da empresa. Para quem está no Simples Nacional (o regime simplificado das micro e pequenas empresas), o que as fontes oficiais dizem em outubro de 2026:
- Anexo III. A Receita Federal respondeu, em consultas do próprio setor, que o serviço de instalação e manutenção de ar-condicionado e refrigeração é tributado pelo Anexo III da Lei Complementar 123/2006.
- 6% na primeira faixa. Com receita de até R$ 180.000,00 em doze meses, a alíquota do Anexo III é de 6%. Nas faixas seguintes a tabela tem uma parcela a deduzir, e a alíquota de fato paga é calculada pelo contador.
- Obra muda a regra. Quando o serviço faz parte de um contrato de construção ou de obra de engenharia, a tributação vai para o Anexo IV. A primeira faixa do Anexo IV é de 4,5%, mas ele não inclui a contribuição patronal ao INSS (a parte da previdência que a empresa paga sobre a folha), que é paga por fora.
- Técnico fixo no cliente. Deixar um técnico à disposição do cliente pode ser entendido como cessão de mão de obra, que a Receita aponta como motivo de saída do Simples. Fale com o contador antes de assinar contrato com técnico residente.
O MEI (microempreendedor individual) pode exercer a atividade, com limite de receita de R$ 81.000,00 por ano. A regra de imposto do MEI é outra, e o contador ou o Portal do Empreendedor dizem o valor do ano.
A reforma tributária pode mudar essas regras. Confirme com o contador a alíquota do mês em que estiver fazendo a conta.
Além do imposto, o e-book do Sebrae RS manda somar as outras incidências sobre a venda: a taxa do cartão ou do boleto, a comissão, se houver, e uma reserva para inadimplência.
Exemplo. Imposto de 6%, taxa de cobrança de 2% e inadimplência de 1%: 9%.
Passo 5: quanto de lucro, e qual o multiplicador?
Lucro, aqui, é a porcentagem do faturamento que sobra depois de pagar tudo, inclusive a retirada do dono. É o que paga a ferramenta nova, o mês fraco e o crescimento.
A fórmula do multiplicador, como o Sebrae RS escreve:
Multiplicador = 100 ÷ (100 − (incidências + lucro desejado))
Exemplo. Incidências de 9% e lucro desejado de 16%:
- 100 − (9 + 16) = 75
- 100 ÷ 75 = 1,3333
Por que não somar 25% em cima do custo? Porque imposto, taxa e lucro são porcentagem do preço, não do custo. R$ 60,19 mais 25% dá R$ 75,24. Desse preço, 25% são R$ 18,81, e sobram R$ 56,43 para um custo de R$ 60,19. Faltou dinheiro.
Passo 6: qual é o preço da hora?
Preço da hora = custo da hora × multiplicador
Exemplo. R$ 60,19 × 1,3333 = R$ 80,25 por hora.
Conferindo: 25% de R$ 80,25 são R$ 20,06, para imposto, taxas e lucro. Sobram R$ 60,19, que é o custo. A conta fecha.
Material e peça seguem a mesma lógica: custo do material multiplicado pelo mesmo fator.
Como transformar isso em preço de serviço e em mensalidade?
Serviço avulso. Tempo do serviço × preço da hora, mais os materiais.
Mensalidade de contrato. Some as horas do ano inteiro naquele cliente, multiplique pelo preço da hora, divida por doze e some os materiais.
Exemplo. Uma loja com 6 splits. A rotina mensal leva 40 minutos por aparelho, e duas vezes por ano há uma limpeza completa de 1 hora e meia por aparelho:
| Item | Conta | Resultado |
|---|---|---|
| Rotina mensal | 6 × 40 min × 12 meses | 48 horas |
| Limpeza completa | 6 × 1,5 h × 2 vezes | 18 horas |
| Horas no ano | 48 + 18 | 66 horas |
| Mão de obra no ano | 66 × R$ 80,25 | R$ 5.296,50 |
| Mão de obra por mês | R$ 5.296,50 ÷ 12 | R$ 441,38 |
| Materiais de consumo por mês | R$ 30,00 × 1,3333 | R$ 40,00 |
| Mensalidade do exemplo | R$ 481,38 |
Os tempos por aparelho são exemplo. Cronometre a sua equipe: split de parede em escritório, cassete em loja e câmara fria têm tempos muito diferentes.
Três cuidados na mensalidade:
- Corretiva inclusa pede reserva de horas. Só o histórico do cliente diz quantas. Sem histórico, comece com a corretiva por orçamento.
- Aparelho novo no cliente muda a conta. Por isso a lista de aparelhos vai no contrato. Veja o guia sobre o que o contrato de manutenção precisa ter.
- O preço envelhece. Salário, combustível e aluguel sobem. O reajuste anual do contrato existe para isso.
E o PMOC, como entra no preço?
Não existe referência pública de preço para o PMOC (Plano de Manutenção, Operação e Controle). A Lei 13.589/2018 obriga o prédio de uso público e coletivo a ter o plano e não fala em preço.
Separe em duas partes:
| Parte | O que entra na conta |
|---|---|
| Elaborar o plano | Horas do levantamento no local e da elaboração, e a taxa da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica, do engenheiro) ou do TRT (Termo de Responsabilidade Técnica, do técnico) |
| Executar as rotinas | É o contrato de manutenção: as horas do ano, como no exemplo acima |
| Análise de qualidade do ar | Quando o cliente contrata, é serviço de laboratório, orçado à parte |
Como apresentar o preço ao cliente?
- Por escrito, com o que está incluso. O cliente compara propostas pelo valor final. A sua defesa é a lista do que você faz.
- Mão de obra separada de material. Quando o cliente é consumidor, o Código de Defesa do Consumidor manda entregar orçamento prévio com o valor da mão de obra, dos materiais, as condições de pagamento e as datas (art. 40).
- Com validade. Pelo mesmo artigo, o orçamento vale dez dias a partir do recebimento, se você não escrever outro prazo. Escreva o seu.
- Confira com o mercado. A conta dá o preço de que a sua empresa precisa. Se ele ficou acima do que a região paga, a saída é rever custo e agenda ou mostrar o que você entrega a mais. Baixar o preço sem rever a conta é escolher o prejuízo.
Depois da conta: o que o Friolab faz, e o que não faz
O Friolab não calcula o seu preço. A conta acima é sua. Ele guarda o resultado e o usa todo dia:
- Tabela de serviços com preço: cada serviço cadastrado com o valor que você definiu, pronto para entrar na ordem de serviço e no orçamento.
- Orçamento por link: o cliente recebe o link pelo WhatsApp, vê os itens e aprova por ali. O orçamento também sai em PDF.
- Valor da hora: o valor por hora da empresa fica guardado e já entra nos custos da ordem de serviço. Em contrato por hora, vale o valor do contrato.
- Tempo real de cada visita: o técnico marca a chegada e a saída no aplicativo, e a ordem de serviço guarda quanto tempo o serviço levou. É o número que você usa para refazer a conta da mensalidade com o tempo de verdade.
- Deslocamento na ordem de serviço: o deslocamento entra como item de custo, por quilômetro.
- Faturamento por contrato: os lançamentos podem ser filtrados por contrato, para ver quanto cada um faturou.
O que ele não faz: não calcula margem nem lucro por contrato, e não sugere preço.
Perguntas frequentes
Existe tabela de preços de serviços de refrigeração e ar-condicionado?
Tabela oficial, não. Nenhuma lei fixa preço de manutenção, e não encontramos tabela pública de referência nas entidades do setor. Os valores que circulam na internet vêm de blogs ou de contratos de órgãos públicos, que são o preço de um contrato específico. O caminho seguro é fazer a conta do seu custo e depois comparar com o que a sua região paga.
Como calcular o valor da hora técnica?
Some o custo mensal de quem executa o serviço (salário, benefícios, 13º, férias e encargos) e divida pelas horas em que ele está de fato trabalhando no cliente, não pelas horas contratadas. Some a parte do custo fixo da empresa que cabe a cada hora. Multiplique pelo fator que cobre imposto, taxas e lucro. É o método que o e-book do Sebrae RS ensina para preço de serviço.
Como cobrar o deslocamento?
O deslocamento tem dois custos. O tempo do técnico na rua já entra na conta quando você divide o custo dele pelas horas em execução, e não pelas horas contratadas. O custo do veículo (combustível, manutenção, pneus, seguro, imposto e desgaste) entra no custo fixo da empresa ou é cobrado por quilômetro. Escolha um dos dois, para não cobrar duas vezes nem esquecer.
Qual imposto incide sobre o serviço de manutenção no Simples Nacional?
Segundo a Receita Federal, o serviço de instalação e manutenção de ar-condicionado e refrigeração prestado por empresa do Simples Nacional é tributado pelo Anexo III da Lei Complementar 123/2006. Na primeira faixa, de receita até R$ 180.000,00 em doze meses, a alíquota é de 6%. Acima disso a conta muda, e quem faz é o contador. Quando o serviço faz parte de um contrato de obra, a tributação vai para o Anexo IV.
Quanto cobrar por um PMOC?
Não existe referência pública de preço para o PMOC (Plano de Manutenção, Operação e Controle). A lei obriga o prédio a ter o plano e não fala em preço. A conta é a mesma dos outros serviços: as horas do levantamento e da elaboração, a taxa da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou do TRT (Termo de Responsabilidade Técnica) do responsável técnico e, quando o cliente contrata, a análise de qualidade do ar. A execução das rotinas do plano é o contrato de manutenção.
Como transformar o preço da hora em mensalidade de contrato?
Some as horas que aquele cliente vai consumir no ano, contando todas as visitas e o tempo em cada aparelho, multiplique pelo preço da hora e divida por doze. Some os materiais de consumo. Se o contrato inclui chamado de defeito, reserve horas para isso, e só o histórico do cliente diz quantas.
Guias relacionados
Ver fontes
- Sebrae RS — e-book "Como formar preço de serviços"
- Lei Complementar 123/2006 — Simples Nacional, art. 18, § 5º-B, IX, Anexos III e IV e art. 18-A (Planalto)
- Receita Federal — Solução de Consulta Cosit nº 167/2014, instalação e manutenção de ar-condicionado e refrigeração no Anexo III
- Receita Federal — Solução de Consulta Cosit nº 47/2018, manutenção preventiva e corretiva de refrigeração no Anexo III
- Receita Federal — Solução de Consulta Disit/SRRF07 nº 7009/2025, cessão de mão de obra e Simples Nacional
- Lei 8.036/1990 — FGTS, art. 15 (Planalto)
- Constituição Federal, art. 7º — 13º salário e férias com um terço (Planalto)
- Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990 — orçamento prévio, art. 40 (Planalto)
- Caixa — SINAPI, Caderno Técnico de Composições de Instalações de Ar Condicionado
- Lei 13.589/2018 — obrigatoriedade do PMOC (Planalto)