Diagnóstico de superaquecimento e subresfriamento

Atualizado em 06/06/2026

Superaquecimento é quanto o vapor na linha de sucção está acima da temperatura de evaporação. Subresfriamento é quanto o líquido está abaixo da temperatura de condensação. Juntos, dizem se a carga de gás está certa. Mede-se com o manifold. Você converte a pressão em temperatura de saturação pela tabela PT (orvalho para o superaquecimento, bolha para o subresfriamento) e subtrai da temperatura medida na linha. Em sistemas com válvula de expansão (TXV), o indicador da carga é o subresfriamento (alvo de cerca de 5 a 9 °C). Em capilar ou orifício fixo, é o superaquecimento comparado ao superaquecimento-alvo. A leitura cruzada diagnostica. Superaquecimento alto com subresfriamento baixo é falta de gás. Superaquecimento baixo com subresfriamento alto é excesso. Os dois altos indicam restrição na linha de líquido.

O que são superaquecimento e subresfriamento?

São as duas medidas que dizem se a carga de refrigerante de um sistema está correta. Superaquecimento (SH) é a diferença entre a temperatura da linha de sucção e a temperatura de evaporação (a saturação no lado de baixa). É o calor extra que o vapor ganha depois que todo o líquido já ferveu no evaporador. Subresfriamento (SC) é a diferença entre a temperatura de condensação e a temperatura da linha de líquido, ou seja, quanto o líquido foi resfriado abaixo do ponto em que começou a condensar.

Cada um vigia uma ponta do ciclo. O superaquecimento garante que só vapor chegue ao compressor, que não foi feito para comprimir líquido. O subresfriamento confirma que sai líquido de verdade (não uma mistura) do condensador, para alimentar o dispositivo de expansão. Por isso o diagnóstico de carga nunca é por pressão sozinha. É pela leitura cruzada dos dois.

Como medir o superaquecimento no manifold?

Mede-se convertendo a pressão de baixa em temperatura de saturação pela tabela PT e subtraindo-a da temperatura da linha de sucção. Passo a passo de campo:

  1. Estabilize o sistema por 15 a 20 minutos, com compressor e ventiladores do evaporador e do condensador rodando (The Training Center).
  2. Conecte a mangueira azul na linha de sucção (a mais grossa) e a vermelha na linha de líquido (a mais fina). Use conexões de baixa perda.
  3. Leia a pressão e espere 2 a 3 minutos ela estabilizar.
  4. Converta a pressão em temperatura de saturação pela tabela PT do gás certo. Use o ponto de orvalho para o superaquecimento e o ponto de bolha para o subresfriamento.
  5. Meça a temperatura da linha com um termômetro de contato isolado. Para o superaquecimento, meça na linha de sucção, logo na saída do evaporador (ou perto do compressor, no caso do superaquecimento total). Para o subresfriamento, meça na linha de líquido, na saída do condensador. Isole a sonda do ar ambiente, ou a leitura sai errada.
  6. Calcule o superaquecimento e o subresfriamento. Superaquecimento = T da sucção − T de saturação e Subresfriamento = T de saturação − T da linha de líquido. Na fórmula, a temperatura da sucção é a que você mediu na linha de sucção (saída do evaporador, ou perto do compressor para o superaquecimento total), e a temperatura do líquido é a que você mediu na linha de líquido (saída do condensador).

A calculadora de superaquecimento e subresfriamento faz a conversão pela tabela PT e o cálculo dos dois ΔT na hora. Basta informar pressão e temperatura de cada lado.

Bolha ou orvalho? Em fluidos puros e azeotrópicos (R-22, R-410A, R-134a) o ponto de bolha e o de orvalho coincidem (glide de cerca de 0). Em blends zeotrópicos como o R-407C (glide de cerca de 5 a 6 °C) e o R-404A (cerca de 0,5 a 1 °C) eles diferem. Nesses casos, use orvalho no lado de baixa (superaquecimento) e bolha no lado de alta (subresfriamento). Trocar os pontos é um erro clássico que falseia o ΔT.

Quais as faixas-alvo de superaquecimento e subresfriamento por dispositivo de expansão?

Depende do dispositivo de expansão, porque ele decide qual indicador serve para julgar a carga.

Dispositivo de expansão Superaquecimento alvo Subresfriamento alvo Indicador de carga
Válvula (TXV/EEV) ~5–12 °C (9–22 °F) ~5–9 °C (9–16 °F) Subresfriamento
Capilar / orifício fixo método do alvo ~3–14 °C (5–25 °F) Superaquecimento

A válvula de expansão termostática mantém o superaquecimento praticamente constante, abrindo e fechando conforme a carga. Por isso, num TXV, o superaquecimento não diz nada sobre a carga. Quem julga é o subresfriamento (HVAC School). Já o capilar não tem controle ativo. O superaquecimento sobe e desce com a quantidade de gás, então ele é o indicador, sempre comparado ao superaquecimento-alvo. Os valores exatos vêm da placa ou do manual do equipamento. As faixas acima são o ponto de partida.

Como calcular o superaquecimento-alvo num orifício fixo?

Pelo método do bulbo úmido, padrão para carregar sistemas de capilar/orifício. A fórmula, confirmada pela AC Service Tech, é:

SH-alvo (°F) = (3 × BU − 80 − BS) / 2

onde BU é o bulbo úmido do ar de retorno (interno), medido com psicrômetro perto da entrada do evaporador, e BS é o bulbo seco externo, medido na condensadora. Ajuste a carga até o superaquecimento real se aproximar do alvo.

Duas advertências práticas. Se o alvo der abaixo de 5 °F, eleve o superaquecimento real para um número mais alto (menos eficiente, mas protege o compressor). E o método só é confiável com ar interno e externo acima de cerca de 21 °C. Em dia frio a conta perde validade.

Matriz de diagnóstico: o que cada combinação significa?

A leitura cruzada do superaquecimento e do subresfriamento aponta a causa. Esta matriz consolida a regra confirmada pelas fontes técnicas:

SH \ SC SC baixo SC normal SC alto
SH alto Subcarga (falta de gás/vazamento) Restrição ou baixo fluxo de ar Restrição na linha de líquido
SH normal n/d Carga correta n/d
SH baixo Superalimentação / baixo ar n/d Sobrecarga (excesso de gás)

A tabela abaixo resume o que cada sinal indica e o que fazer. As ações são as mesmas que a calculadora entrega no diagnóstico, para as duas telas se complementarem.

Sinal O que indica O que fazer
Superaquecimento alto + subresfriamento baixo Subcarga (falta de gás) Procure e corrija o vazamento primeiro. Só depois complete a carga aos poucos, conferindo o superaquecimento e o subresfriamento.
Superaquecimento baixo + subresfriamento alto Sobrecarga (excesso de gás) Retire um pouco de refrigerante e reavalie. Não precisa recolher toda a carga.
Superaquecimento alto + subresfriamento alto Restrição Verifique o filtro secador e a linha de líquido. Se o sistema usa válvula de expansão, ela pode estar pouco aberta. Nesse caso, abra a válvula aos poucos para aumentar o fluxo. Vale lembrar que abrir a válvula reduz o superaquecimento e fechar aumenta.
Superaquecimento baixo + subresfriamento normal Baixo fluxo de ar no evaporador Confira o filtro de ar, a serpentina (suja ou com gelo) e o ventilador do evaporador. A válvula de expansão também pode estar aberta demais. Nesse caso, feche a válvula aos poucos para aumentar o superaquecimento.
Superaquecimento alto + subresfriamento normal Pouco refrigerante no evaporador, carga aparentemente normal Verifique restrição na linha de líquido e no filtro secador. Se o sistema usa válvula de expansão, abra a válvula aos poucos para aumentar o fluxo. Lembre que abrir a válvula reduz o superaquecimento.
Superaquecimento normal + subresfriamento baixo Leve falta de carga Confira se há vazamento e complete a carga aos poucos, reavaliando os dois indicadores.
Superaquecimento normal + subresfriamento alto Carga um pouco acima do ideal Retire um pouco de refrigerante e reavalie.
Ambos na faixa Carga adequada Siga o plano de manutenção.

Superaquecimento alto e subresfriamento baixo: subcarga, passo a passo

Veja um caso completo num split R-410A com válvula de expansão (TXV) que não estava gelando (valores conferidos na calculadora, unidade PSI manométrica):

  1. Lado de baixa: pressão 100 psi manométrica → temperatura de saturação de evaporação de −0,5 °C (tabela PT do R-410A).
  2. Linha de sucção medida a 15 °C. Superaquecimento = 15 − (−0,5) = 15,5 °C → muito alto (bem acima da faixa de cerca de 5 a 12 °C usada para válvula, lembrando que o superaquecimento total no compressor deve ficar acima de 11 °C).
  3. Lado de alta: pressão 300 psi manométrica → temperatura de condensação de 34,8 °C.
  4. Linha de líquido medida a 32 °C. Subresfriamento = 34,8 − 32 = 2,8 °C → muito baixo (faixa-alvo TXV: 5 a 9 °C).
  5. Superaquecimento alto + subresfriamento baixo = subcarga. Há pouco refrigerante no sistema, provavelmente por vazamento.

A conduta correta não é abrir a garrafa. É localizar e reparar o vazamento e só então recarregar pelo subresfriamento (o indicador do TXV). Repor gás sem achar o furo só adia o próximo chamado.

Erros de campo que falseiam o diagnóstico

O que separa o diagnóstico confiável do "achismo" costuma ser detalhe de leitura.

  • Confundir pressão manométrica com absoluta. A tabela PT é em pressão absoluta, e o manifold lê manométrica. Some a atmosférica (cerca de 14,7 psi ou 1,013 bar ao nível do mar, menos em altitude) antes de buscar a saturação. Esquecer isso joga a temperatura de saturação para o lado errado. A calculadora de superaquecimento e subresfriamento já faz essa conversão para você (vem em manométrica por padrão e converte para absoluta), então você não cai nesse erro.
  • Usar a coluna errada da tabela (bolha no lado de baixa, orvalho no de alta) em blends zeotrópicos.
  • Julgar a carga com condensador sujo ou pouca vazão de ar. Condensador sujo empurra a alta para cima e mascara o subresfriamento. Evaporador com pouco ar "afoga" e derruba o superaquecimento. Limpe filtro e serpentina e cheque o ventilador antes de concluir.
  • Carregar só pela pressão. Pressão não é carga. Sem superaquecimento e subresfriamento, é palpite.
  • Não estabilizar ou deixar a sonda exposta ao ar. Espere o sistema assentar e isole o termômetro de contato.
  • Trocar o indicador. Julgar carga pelo superaquecimento num TXV, ou pelo subresfriamento num capilar, leva ao diagnóstico errado.

Por que o superaquecimento protege o compressor?

Porque é ele que impede líquido de voltar ao compressor. Antes de mais nada, vale separar as coisas. No evaporador o superaquecimento costuma ser mais baixo, e o superaquecimento total, medido perto do compressor, mais alto. A recomendação prática é manter ali pelo menos 20 °F (cerca de 11 °C), para que o compressor não receba líquido em baixa carga (ACHR News). Esse valor é uma referência, e cada fabricante tem a sua recomendação, então confirme sempre no manual do equipamento. O cuidado de verdade é com a faixa muito baixa. Abaixo de cerca de 5 °F de superaquecimento com subresfriamento baixo, entra-se na zona de floodback, em que o líquido volta, dilui o óleo, lava o filme das superfícies e pode levar o compressor à falha. Líquido não comprime.

No contexto brasileiro, fabricantes como a Elgin publicam a faixa recomendada no manual de cada equipamento. Quando o manual estiver disponível, guie-se por ele, e não por uma regra de bolso geral. Os números deste guia e da calculadora são um ponto de partida para quando você não tem a folha do fabricante em mãos.

Detectar problema de carga cedo nem sempre depende do manifold. Acompanhar a temperatura do ambiente refrigerado de forma contínua denuncia vazamentos lentos antes que virem perda de mercadoria. A temperatura sobe gradualmente muito antes de o sistema falhar de vez.

Resumo prático

  1. Estabilize o sistema (15 a 20 min) e meça pressão e temperatura de cada lado.
  2. Converta pressão em saturação pela tabela PT, usando orvalho no superaquecimento e bolha no subresfriamento.
  3. Superaquecimento = T sucção − T sat. Subresfriamento = T sat − T líquido.
  4. Com TXV/EEV, julgue pelo subresfriamento. Com capilar/orifício, julgue pelo superaquecimento-alvo.
  5. Cruze o superaquecimento e o subresfriamento na matriz. Antes de concluir subcarga, descarte vazamento, condensador sujo e baixa vazão de ar.

Para fazer as contas sem risco de errar a coluna da tabela e já receber o diagnóstico da carga, use a calculadora de superaquecimento e subresfriamento.

Perguntas frequentes

O que é superaquecimento e subresfriamento?

Superaquecimento é a diferença entre a temperatura da linha de sucção e a temperatura de evaporação (a saturação no lado de baixa). É o calor extra que o vapor ganha depois que todo o líquido ferveu. Subresfriamento é a diferença entre a temperatura de condensação e a temperatura da linha de líquido, ou seja, quanto o líquido foi resfriado abaixo do ponto em que começou a condensar. O superaquecimento garante que só vapor chega ao compressor. O subresfriamento confirma que sai líquido do condensador.

Como medir o superaquecimento no manifold?

Com o sistema estabilizado por 15 a 20 minutos, conecte o manômetro de baixa na linha de sucção e leia a pressão. Converta essa pressão na temperatura de saturação (ponto de orvalho) pela tabela PT do gás. Meça a temperatura da linha de sucção com um termômetro de contato isolado, perto do compressor. Superaquecimento = temperatura da linha − temperatura de saturação.

Qual o valor ideal de superaquecimento e subresfriamento?

Para válvula de expansão (TXV/EEV), o superaquecimento fica em torno de 5 a 12 °C (cerca de 9 a 22 °F) e o subresfriamento em 5 a 9 °C (cerca de 9 a 16 °F). Em capilar/orifício fixo, o superaquecimento varia muito com a condição e deve ser comparado ao superaquecimento-alvo. Os números exatos vêm sempre da placa ou do manual do fabricante.

Tenho TXV ou capilar, qual devo medir para ajustar a carga?

Com válvula de expansão (TXV/EEV), o indicador da carga é o subresfriamento, porque a válvula mantém o superaquecimento constante variando a abertura. Com tubo capilar ou orifício fixo, o indicador é o superaquecimento, comparado ao superaquecimento-alvo calculado pelo bulbo úmido do retorno e o bulbo seco externo.

Superaquecimento alto e subresfriamento baixo: o que significa?

Indica subcarga, ou seja, falta de refrigerante (geralmente um vazamento) ou restrição na linha de líquido. Superaquecimento alto mostra evaporador faminto. Subresfriamento baixo mostra condensador quase sem líquido. Procure o vazamento antes de completar a carga. Só repor gás sem achar o furo mascara o problema.

Como saber se falta ou sobra gás no sistema?

Pela leitura cruzada do superaquecimento e do subresfriamento. Superaquecimento alto + subresfriamento baixo = falta de gás (subcarga). Superaquecimento baixo + subresfriamento alto = excesso de gás (sobrecarga). Os dois altos = restrição (filtro secador ou linha de líquido). Os dois baixos = dispositivo de expansão passando demais ou baixa vazão de ar no evaporador. Pressão sozinha não diz carga.

Qual o superaquecimento mínimo para proteger o compressor?

Aqui é importante separar dois pontos. No evaporador o superaquecimento costuma ser mais baixo, e o superaquecimento total, medido perto do compressor, mais alto. A regra prática de manter pelo menos 20 °F (cerca de 11 °C) é sobre o superaquecimento TOTAL medido perto do compressor, para garantir que ele não receba líquido em baixa carga. Esse número é uma referência, e cada fabricante tem a sua recomendação. O cuidado vale para a faixa muito baixa. Abaixo de cerca de 5 °F de superaquecimento com subresfriamento baixo, entra-se na zona de floodback, em que o líquido volta ao compressor, dilui o óleo e pode provocar falha. Líquido não comprime.

Como funciona o método do superaquecimento-alvo (bulbo úmido)?

É o método para carregar sistemas de orifício fixo. Fórmula: superaquecimento-alvo (°F) = (3 × bulbo úmido interno − 80 − bulbo seco externo) / 2. Meça o bulbo úmido do ar de retorno com psicrômetro e o bulbo seco externo, calcule o alvo e ajuste a carga até o superaquecimento real se aproximar dele. Só é confiável com ar interno e externo acima de ~21 °C.

Ver fontes